Os Portugueses já estão mais que habituados a viver com a mediocridade com que os nossos estimados líderes nos têm vindo a brindar desde que ser político virou profissão.
O trabalho do político "chefe"*, é, das duas uma, ou chegar ao poder ou manter-se no poder. Para chegar ao poder, geralmente é disruptivo, enfrenta o sistema instalado, ataca as políticas em vigor, etc e tal, tem que de alguma maneira ser notado por quem o poderá eleger nas próxima eleições. Já quem está no poder, tem que fazer o mínimo possível, não levantar ondas, não ir contra os interesses instalados, dizem amêm a quem, nas sombras, o manipula (vulgo lobbies, outros quejandos e quiça quem o pôs lá com favorzinhos e cunhas).
A minha "aula" de hoje centra-se em quem quer chegar ao poder, focando-me em André Ventura, que me parece ser um caso interessante e relativamente fácil de analisar.
André Ventura, o escritor. Pois é, o sujeito escreveu uns livros, nunca os li e o mais certo é nunca os ler, por isso, vou me abster de comentar da sua qualidade e valia como escritor, o que é certo é que ainda não ouvi (ou li) alguém a falar sobre a faceta literária do André.
Mas como chegar ao poder com uns meros livros (pergunta retórica óbvia)?
Ora bem, qual o assunto que mexe com todos e é quase uma religião neste país? Já adivinharam não já? Os meus leitores são inteligentes. Passou dos livros para a televisão e tornou-se um distinto comentador desportivo (afeto ao Benfica) e assim sendo, grangeou o suporte de uns quantos milhões de portugueses que assumem desde logo que será boa pessoa e bom "pai de família".
E assim começou a ascenção do André...
Graças à sua "perspicácia" futeboleira, André entrou rapidamente na psique inconsciente dos telespectadores da bola, passou a ser um opinião maker da maioria silenciosa e abriu as porta de entrada a um lamaçal, mas como qualquer político que se preze e quer chegar longe, quanto mais sujo melhor, porque assim todos se sujam e ninguém tem autoridade moral para mandar bitaites.
Mas como passar do futebol para a política? Como se as duas não fossem mais promícuas do que uma abelha rainha (pesquisem no google, é bastante interessante). Para manter alguma coerência no discurso, o registo do mesmo não pode mudar, ou seja, tem que persistir no uso de chavões, tem que falar mais alto, tem que basicamente, de dizer o que os tristes desta vida gostam de ouvir.
Não me vou debruçar no que o sujeito diz e defende, seja racismo, anti-racismo, fascismo ou anti-fascismo, pena de morte, aborto, ou os touros em barrancos. E sabem porquê? E aqui chega o climax orgásmico desta leitura, o André Ventura não acredita em nada!
E eu, acredito piamente nisso. Aproveita-se das frustações das pessoas para apontar o dedo (típico de ditadores e pessoas sem ideais) e dispara em todas as direcções. Se a minha convicção é correta, então podemos daí extrapolar que a falta de escrúpulos e total incapacidade para sentir empatia é caracteristica do sujeito em causa. Se fosse um zéquinha qualquer, não teria importãncia, mas não quero andar a pagar impostos para pagar salários a esse tipo de gente.
*Político chefe - Aquele que quer ser notado, ao invés daquele que só quer um tachinho calmo e trabalho das 9 às 16:00.