Quinta da Fonte!

Há uns 20 anos atrás, quando ainda era um petiz, e com propensão à rebeldia e mau comportamento (não comer sopa, trancar prima na despensa, desarrumar brinquedos, e outras coisas que tais), a minha avó dizia que eu era um terrorista e às vezes até cigano. Claro que na altura terrorismo não era problema e não fazia ideia o que raio era um cigano. Agora como é que defino um cigano? Vendem nas feiras produtos roubados ou falseados, andam sempre de negro, cultura totalmente diferente da nossa, apátridas? Cigano só conheço um, Quaresma, actual jogador do porto (parece que não por muito mais tempo). Histórias conheço muitas, assaltos por grupos de ciganos, vão a hipermercados tropeçar em garrafas de azeite, fazer uma luxação numa perna para poder ganhar algum (o continente por exemplo tem seguros contra esse tipo de coisas), saltam para frente de um carro dalgum condutor incauto, para sacar algumas massas. Já ouvi essas histórias todas e não foi na televisão, aconteceram mesmo. Talvez esteja condicionado para não ter uma opinião muito abonatória acerca dos ciganos, mas só ouço contar histórias más sobre eles. Também não conheço ninguém que se dê ao trabalho de relatar episódios representativos do seu "lado solar".

Também sou da opinião que toda a gente tem direito à felicidade, desde que não seja à custa dos outros é claro. Não conheço o bairro da Fonte embora já tenha passado por Loures. O que sei é que onde há uma alta concentração de ciganos geralmente há problemas, e atravesso para o outro lado da rua se vir um grupo de ciganos mais à frente. Claro que me refiro a grupos de aspecto marginal, tipos com notório mau aspecto.

Pelo que vem relatado nos media, nesse bairro existe um confronto entre grupos ciganos e grupos africanos pelo controlo do tráfico de droga, mas quem quer sair do bairro são as famílias ciganas. A opinião que é transmitida cá para fora é que eles querem casas novas num bairro mais aprazível e os outros que se "lixem". Parece que vivem num mundo à parte mas querem gozar dos privilégios de estarem integrados na nossa sociedade.

Claro que o governo não pode nem deve ceder. As pessoas têm que resolver os seus problemas em conjunto, com diálogo. Mas as autoridades têm que aniquilar esses grupos armados, como? Infiltrem-se, arranjem informadores, que façam o que devem fazer. Uma bala perdida pode matar alguém (se é que já não o fez), e aí cai o Carmo e a Trindade, vem o governo choramingar para a praça pública. Mais vale prevenir do que remediar.

Look for Maddie!

O que diz um português comum, sabem aqueles sem tempo de antena, os da maioria silenciosa, tu, eu, e aquele ali da esquina, o que dizemos "nós" quando uma criança estrangeira vale mais do que uma portuguesa? O que dizemos nós quando são dedicados meses e meses de barulho sobre uma criança inglesa? Note-se que é um país rico, nosso parceiro, não em pé de igualdade, pois é óbvio que possui um peso político e económico infinitamente maior do que o nosso. Por solidariedade com os nossos irmãos ingleses, deveríamos talvez apoiar, quiçá aumentar o já vasto pecúlio do fundo para encontrar a criança com as nossas miseráveis economias. Sendo o nosso país possuidor de uma incrível fonte de gente boa e ingénua (no bom sentido), não duvido que muitas rezas tenham sido proferidas e muitos caminhos trilhados em busca da criança, e porventura algumas carteiras tenham ficado mais leves. Talvez muito tenha sido feito pela maioria silenciosa mas pouco dito, e muito tenha sido dito pela minoria barulhenta mas porventura muito pouco feito.

Podemos atribuir aos comentadores, políticos e psicólogos que nos fizeram o favor de nos encher a cabeça de teorias lógicas e absurdas algum mérito?

Não sei mas duvido muito, ouvi muitos disparates, muito veneno espalhado e considero-me inteligente o suficiente para tirar as minhas próprias conclusões sobre o sucedido. Sei que o muito que tenha sido feito pela Maddie deveria ficar atrás do pouco que foi feito pelo Rui Pedro, lembram-se dele? A mãe andou feita perdida por esse país a lembrar o filho, com marchas inconsequentes para os índices das televisões e vendas de jornais.

E além do Rui Pedro, existem muitos outros nomes, e falamos de casos com anos, que já morreram nos media, e "longe da vista, longe do coração"!


NOTA DA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL

I. Por despacho com data de hoje (21.07.2008) proferido pelos dois magistrados do Ministério Público competentes para o caso, foi determinado o arquivamento do inquérito relativo ao desaparecimento da menor Madeleine McCann, por não se terem obtido provas da prática de qualquer crime por parte dos arguidos.

II. Cessa assim a condição de arguido de Robert James Queriol Evelegh Murat, Gerald Patrick McCann e Kate Marie Healy, declarando-se extintas as medidas de coacção impostas aos mesmos.

III. Poderão ter lugar a reclamação hierárquica, o pedido de abertura de instrução ou a reabertura do inquérito, requeridos por quem tiver legitimidade para tal.

IV. O inquérito poderá vir a ser reaberto por iniciativa do Ministério Público ou a requerimento de algum interessado se surgirem novos elementos de prova que originem diligências sérias, pertinentes e consequentes.

V. Decorridos que sejam os prazos legais, o processo poderá ser consultado por qualquer pessoa que nisso revele interesse legítimo, respeitados que sejam o formalismo e limites impostos por lei.


Agora o caso foi arquivado, e com muito feito, pouco feito, muito dito ou pouco dito, sejam os pais culpados ou não, a Maddie e o Rui Pedro estão agora juntos. Mais dois nomes na lista longa de crianças desaparecidas e/ou raptadas.

http://www.findmadeleine.com

http://www.ruipedro.net/

Há uns tempos li uma notícia sobre um detective privado, ou algo do género, que tinha visto fotos com o Rui Pedro a ser abusado. Não me recordo se foi no jornal ou na televisão, mas como é óbvio via-se apenas o suficiente para uma pessoa se sentir fisicamente mal. Não compreendo como é que é possível fazer algo do género. Castração química, prisão perpétua, morte social, pena capital, isso não chega para afastar os abusadores?

O bom, mau e o vilão!

O discurso da tanga de Durão Barroso mudou a mentalidade deste país. O realismo exacerbado instalou-se, bem como a impressão da falta de dinheiro. De consumistas passamos a poupadores de dinheiro que já não temos. O que fazer então para se subir na vida sem muito trabalho? Um bocado de lábia e falta de escrúpulos para dizer mal de quem está à frente é tudo o que uma pessoa necessita. Durão Barroso fez isso, com os resultados que se sabem (ganhou!?).

Não estou a dizer que seja tenha sido um apoiante de Guterres, mas desde aí que quem está na oposição só sabe dizer mal do governo, daí a importância das maiorias absolutas. E daí também o afastamento das pessoas da política, elas não gostam de estar sempre a ouvir que está tudo sempre mal.

Agora que tem isto a ver com o apito dourado? Quando temos um clube que desde há 30 anos consegue ganhar consistentemente, que se livra dos interesses e poderes instalados (e quem quiser falar sobre isso que o faça!), é natural que faça alguns inimigos, neste país pelo menos uns 8 milhões. E quando vemos que em todos esses anos, temos um elemento comum, que é claro Pinto da Costa, o inimigo torna-se ainda mais evidente. Não me vou debruçar sobre a história dele, até porque nem a sei direito, só comecei a seguir o futebol a partir de 2000 e só me apercebi dessa história do sistema quando o Dias da Cunha deu com a língua nos dentes. Só vejo os jogos dos 3 grandes, e sempre vi muitos erros a prejudicar ou a ajudar as equipas (e não quero saber deste ou daquele caso, pois qualquer adepto arranja 2 ou 3 casos para cada caso da equipa rival).

Desde que estourou este "escândalo", que as pessoas foram condicionadas pelos jornalistas e comentadores, alguns dirigentes e outras personagens que tais, a pensar que o futebol sempre foi uma mentira, que é absolutamente impossível ganhar algo tantas vezes sem que haja algo atrás, e que é permitido arrastar o nome das pessoas pela lama, mesmo sem culpa formada. Sabemos também que Valentim Loureiro e todos os envolvidos deveriam de ser ostracizados, irradiados, arrastados até ao centro da praça e enforcados (metaforicamente é claro). Isto tudo até começarem a sair os resultados, parece que afinal não houve corrupção (só abuso de poder, isto até tudo ser arquivado nos próximos recursos), os peritos dizem que os jogos foram arbitrados correctamente, o TIC do Porto desmascarou a Carolina, disse que a famosa escuta da fruta só por mera fantasia e conjectura é que poderia dar azo a algo parecido com corrupção e disse até que a Morgado foi incompetente.

Eu sou pelo uso das escutas, mas qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que é possível tirar muitas coisas fora do contexto, e a mesma coisa pode ser dita de várias maneiras. Uma frase transcrita pode assumir muitos mais sentidos que uma frase ouvida. Como distinguir o sarcasmo, a ironia, a irritação num texto? As pessoas ao telefone não falam como o Saramago pois não? As pessoas não podem "inventar" ao telefone? Não vejo como é possível basear uma condenação em escutas, não as podendo negar, não basta dizer "Estava a brincar!?"?. Os tribunais lêem as transcrições e têm que basear o seu veredicto em provas palpáveis não acham? Se eu disser ao telefone que vou assassinar alguém e não o fizer, prendem-me por "intenção de matar"? Por alguma coisa são necessários muitos requisitos para o uso das escutas (os entendidos que o expliquem!).

Agora como ficam os jornalistas, comentadores e outras personagens que tais, que nos deram a certeza que ia ser tudo limpo, irradiado e exprimido como pus das borbulhas? Uma mentira dita muitas vezes parece que se torna verdade e agora os maus das fitas são os juízes, os advogados, enfim, a justiça, que não foi assim tão popular como muita gente queria, como se condenar alguém seja algo para levar de animo leve.

As decisões que têm saído dos tribunais só nos dizem uma coisa, o futebol não era nem é assim tão mau como o pintam, e os profetas da desgraça como o comentador Rui Santos, o Dias da Cunha, ou o Luís Filipe Vieira (todos por motivos diferentes) e os pasquins desportivos têm que começar a vender o seu peixe de maneira diferente.

Este é o país das "Marias", das "Caras", dos "Morangos com açúcar", em suma, das novelas, do oportunismo e de dizer mal de quem está por cima. Temos cada vez mais pobres, mais miséria, e muita ignorância. É fácil dizer mal e muito difícil fazer bem e ser-se competente. É triste estarmos na cauda da Europa, sobretudo quando temos uma história como a nossa.

Não votei no Barroso, e tenho asco a quem só diz mal só com o intuito de ganhar protagonismo e ganhar a simpatia dos infelizes deste país, que são muitos, até eu às vezes caio nessa armadilha. Eu gosto de futebol e não serão as suspeitas, não provadas, lançadas por quem não ganha que me vai tirar esse gosto.

A ascenção do André.

Os Portugueses já estão mais que habituados a viver com a mediocridade com que os nossos estimados líderes nos têm vindo a brindar desde que...